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Implantação do Banco está sendo realizada pelo Naturatins em parceria com a Unicatólica e o Instituto Tamanduá. A atividade prática foi realizada para apresentar os protocolos exigidos para coleta de amostras dos animais.

 

 

“Um projeto que a longo prazo vai trazer muita informação relevante para a preservação das espécies de uma das áreas mais ricas em termos de biodiversidade, que é o Tocantins”. Essa é a definição do projeto Banco de Amostras Biológicas – Fauna Silvestre, dada pela professora e pesquisadora, Flávia Miranda. O projeto é do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), em parceria com a Universidade Católica do Tocantins (Unicatólica) e o Instituto de Pesquisa e Conservação de Tamanduás no Brasil (Instituto Tamanduá).

O projeto foi formalizado a partir da instituição de Acordo de Cooperação Técnica entre ambas as instituições e o Naturatins, visando a colaboração mútua em atividades e ações de pesquisa, manejo, soltura e monitoramento da fauna silvestre. Na prática, caberá à Gerência de Pesquisa e Informações da Biodiversidade sistematizar a disponibilização das espécies acolhidas no Centro de Fauna do Tocantins (Cefau), ambos do Naturatins,  para a coleta de material biológico para o Banco de Amostras. A Unicatólica fará o armazenamento das amostras coletadas e o Instituto Tamanduá entra com os treinamentos necessários para capacitar os envolvidos.

Na última quinta-feira, 28, a coordenadora do Instituto Tamanduá, Flávia Miranda, professora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Bahia) e uma das maiores autoridades em conservação de xenarthras (ordem taxonômica que engloba tamanduás, tatus e preguiças) no Brasil, ministrou uma aula prática para técnicos do Naturatins, alunos e professores do curso de Medicina Veterinária da Unicatólica. Os participantes foram apresentados aos protocolos exigidos para conseguir amostras de qualidade, capazes de serem armazenadas por dezenas de anos.

As possibilidades de pesquisas futuras, bem como a demonstração prática de como a coleta de amostras deve ser feita, tanto em laboratórios com animais já mortos, quanto no campo, empolgou os acadêmicos. “Atividades como essa são muito importantes, pois aumentam nossa bagagem de aprendizado, ainda mais em uma área tão importante e que gosto bastante”, declara Carolina Collicchio Federighi Costa, estudantes do 9º período.

Flávia Miranda considera o treinamento como extremamente importante para capacitar os alunos de veterinária e os profissionais para coletar amostras biológicas de diferentes espécies. “O Tocantins é uma das áreas mais ricas do Brasil em termos de biodiversidade e a gente precisa muito dessas amostras biológicas para entender os animais, sua saúde, sua genética”, explica Flávia.

Ela ressalta que o projeto beneficia diretamente tanto os pesquisadores quanto a fauna do Tocantins. “A ideia é que a gente trabalhe em conjunto agora – pesquisadores, professores, alunos – para podermos ter o máximo de informação da fauna do Tocantins”, conclui Flávia.

A bióloga e inspetora de Recursos Naturais do Naturatins, Angélica Beatriz, acredita que o Banco de Amostras representa o marco para a pesquisa da fauna silvestre. Ela explica que o bioma Cerrado, predominante no Tocantins, ainda guarda muitos segredos, que precisam ser revelados por meio de pesquisas. “O Estado tem uma fauna muito rica e muito ainda a ser descoberto e essas descobertas poderão ser compartilhadas entre pesquisadores de qualquer lugar do Brasil e até do mundo, por meio do Banco de Amostras”, exemplifica a bióloga, que também é pesquisadora.

De acordo com Angélica Beatriz, os protocolos de coleta de material biológico para implantação do Banco de Amostras foi direcionado à superordem de mamíferos chamada de Xenarthra (do grego, xênon = estranho e arthros = articulação), e, como o próprio nome diz, são caracterizados pela presença de articulações adicionais entre as vértebras lombares. “Estamos falando de tamanduás, tatus e preguiças, dos quais algumas espécies estão em alerta por causa do perigo de extinção”, esclarece a bióloga.

Unicatólica

Titular da disciplina de Clínica e Manejo de Animais Silvestres da Unicatólica, o professor André Luiz Hoeppner Rondelli, que também participou da aula prática ministrada por Flávia Miranda, está empolgado com o projeto do Banco de Amostras Biológicas. “É simplesmente fantástico poder aprender e acompanhar alguém como a professora Flávia Miranda, que é apaixonada pelo que faz e mais apaixonada ainda pela fauna silvestre e que dedica sua vida a eles”, avaliou.

Ele também reforçou a importância da parceria com o Naturatins para a formação dos estudantes do Unicatólica. “Contar com a parceria com o Naturatins é de extrema importância, pois permite o estreitamento dos laços dos discentes com esses animais fantásticos e com a realidade, o trabalho e as ações de conservação que são realizadas no nosso Estado”, pontuou.

André Rondelli destacou também que o Tocantins ainda é muito carente de pesquisas na área da fauna silvestre. “Esses animais possuem papel fundamental no ecossistema, papel este que ainda não elucidamos completamente”, aponta o professor, reforçando a importância da parceria entre a instituição de ensino e o Naturatins, que têm possibilitado experiências inéditas aos seus alunos. “Hoje, nossos alunos podem contar com uma rotina clínica e cirúrgica de animais silvestres graças a essa parceria, além é claro, do manejo básico de diversas espécies”, finaliza.

Visitas técnicas

Além da aula prática sobre a coleta de amostras biológicas, ministrada no último dia 28, a professora Flávia Miranda cumpriu agenda de trabalho no Tocantins até o último domingo 1º de maio. Na programação, visita técnica ao Parque Estadual do Cantão (PEC) e Parque Estadual do Lajeado (PEL), além de visita à coleção científica de fauna silvestre do Centro Universitário Luterano de Palmas (Ceulp/Ulbra).

Instituto Tamanduá

Criado em 2005, o Instituto de Pesquisa e Conservação de Tamanduás no Brasil (Instituto Tamanduá) tem como objetivo promover ações de pesquisa, educação e políticas públicas, que favoreçam o equilíbrio do meio ambiente e sua biodiversidade. A entidade trabalha em prol da conservação da biodiversidade, sendo referência em pesquisa e manejo de tamanduás, tatus e preguiças (Xenarthra).

O Instituto é uma organização não governamental e surgiu a partir da necessidade biológica e ecológica de levantar informações das espécies de tamanduás presentes no Brasil e que até então, havia pouquíssimos estudos de campo. O Instituto conta com uma equipe multidisciplinar que trabalha diretamente com as espécies de Xenarthra brasileiros e seus habitats, junto a experiências em projetos de conservação e parcerias com instituições com o mundo todo, contribuindo para o comprometimento, integridade e qualidade do seu trabalho em prol da conservação.

O Instituto Tamanduá é pioneiros em pesquisa científica com as espécies de tamanduás nos biomas Pantanal, Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, e em cativeiro, nas áreas de biologia, ecologia, sistemática, medicina da conservação, genética e educação ambiental, e é considerado referência no desenvolvimento de pesquisas científicas para geração de informações necessárias para a conservação destas espécies e de seus habitats.

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